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  FOLHAS SECAS       OS DIAS SÃO ASSIM  
    NÃO ADIANTA        
  ESTRANHOS DIAS VAZIOS          
      CARDIOPATIA AFECTIVA      
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FOLHAS SECAS - (H. Caetano)

   

Cortei o fio que me prendia

Ao último raio de sol

Sem querer perdi a luz do dia

A lua ficou o meu farol

 

Tentei chegar bem alto e sentir

A essência do próprio luar

Toquei nas folhas secas de Outono

Memórias suspensas no ar

 

Num sonho vi bem claro, sim

Que tudo fugia de mim

Por entre as folhas percebi

Mais uma sou e assim, caí

 

Se tudo está no seu lugar

Se tudo está na perfeição

Se o tempo passa devagar

Se tudo é uma ilusão

 

Tentei chegar bem alto e sentir

A essência do próprio luar

Toquei nas folhas secas de Outono

Memórias suspensas no ar

 

Num sonho vi bem claro, sim

Que tudo fugia de mim

Por entre as folhas percebi

Mais uma sou, e assim caí

 

Se tudo está no seu lugar

Se tudo está na perfeição

Se o tempo passa devagar

Se tudo é uma ilusão

 

Ceguei de tanto querer ver

Com as folhas secas vou descer

Caí de tanto querer subir

Com as folhas secas vou partir

 

Se tudo está no seu lugar

Se tudo está na perfeição

Se o tempo passa devagar

Se tudo é uma ilusão

 ___________________________________

 

O RESPIRAR DE UM ANJO - (H. Caetano)

 

Mil estrelas distantes

Sopram sonhos latentes

Na noite brilhantes

Sentimentos ardentes

 

Na ausência sofrida

No vazio que sufoca

Numa dor desmedida

Quando a noite nos toca

 

Mil estrelas distantes

Sopram sonhos latentes

Na noite brilhantes

Sentimentos ardentes

 

Na ausência sofrida

No vazio que sufoca

Numa dor desmedida

Quando a noite nos toca

 

Quando a noite nos toca

E nada mais importa

Quando a noite nos toca

E nada mais importa

 

Procuro em ti o amanhecer

E encher de luz todo o meu ser

Sentir de perto o respirar de um anjo

E assim ficar

 

Mil estrelas distantes

Sopram sonhos latentes

Na noite brilhantes

Sentimentos ardentes

 

Na ausência sofrida

No vazio que sufoca

Numa dor desmedida

Quando a noite nos toca

 

Quando a noite nos toca

E nada mais importa

Quando a noite nos toca

E nada mais importa

 

Procuro em ti o amanhecer

E encher de luz todo o meu ser

Sentir de perto o respirar de um anjo

E assim ficar

 ___________________________________

 

CARDIOPATIA AFECTIVA - (H. Caetano)

 

No avançar da hora

De dentro para fora

Um fogo invisível

Crepita o indizível

 

Palavras respiramos

Mil verbos conjugamos

Neste torpor vivemos

Assim adormecemos

 

Algo que nasce e cresce assim

Algo que não irá ter fim

Forma verbal infinitiva

Cardiopatia afectiva

 

No sono recolhida

Arde a chama da vida

Do fogo enfim vivemos

Das cinzas renascemos

 

Palavras em cascata

Gotículas de prata

Pétalas de veludo

E assim começa tudo

 

Algo que nasce e cresce assim

Algo que não irá ter fim

Forma verbal infinitiva

Cardiopatia afectiva

 ___________________________________

NÃO ADIANTA - (H. Caetano)

Estende o manto o negro céu de inverno

Cresce a sombra que encurta o dia

Um véu de chumbo esconde o fogo eterno

Conta-me agora o que eu já sabia

 

Dizes que a verdade engana

Dizes que é profunda a ferida

Dizes que é fria a chama

Que ilumina a tua vida

 

Não adianta trazer o mundo a meus pés

De que adianta ganhar e perder outra vez

 

Estende o manto o negro céu de inverno

Cresce a sombra que encurta o dia

Um véu de chumbo esconde o fogo eterno

Conta-me agora o que eu já sabia

 

Dizes que a verdade engana

Dizes que é profunda a ferida

Dizes que é fria a chama

Que ilumina a tua vida

 

Não adianta trazer o mundo a meus pés

De que adianta ganhar e perder outra vez

 ___________________________________

OS DIAS SÃO ASSIM - (L. Pucarinho)

 

Os dias são assim

Tão pouco para contar

 

As tuas, as minhas coisas

Estão presas neste quarto

Donde fujo em pensamentos

Para te encontrar, para me encontrar

 

Sem ter, sem sentir

Sem ver nada

Sem ser, sem sorrir

 

E tanto para dar, e tanto para receber

Fiz tanto para estar mais perto do teu ser

 

Os dias são assim

Tão pouco para contar

 ___________________________________

VOU ENCONTRAR - (H. Caetano)

 

Corre o rio entre as doces margens do silêncio

Sopra a brisa que liberta a voz do pensamento

 

Balança que pesa a certeza do momento

Relógio que marca o chegar de um novo alento

 

Prende o laço

Troco o passo

É o cerco

Que se aperta

 

Sopra o vento

Voa o tempo

Chave certa

Porta aberta

 

Prende o laço

Troco o passo

Prende o laço

 

Vou encontrar as asas do meu ser e voar

No céu do teu olhar, vou encontrar

 

Corre o rio entre as doces margens do silêncio

Sopra a brisa que liberta a voz do pensamento

 

Balança que pesa a certeza do momento

Relógio que marca o chegar de um novo alento

 

Prende o laço

Troco o passo

É o cerco

Que se aperta

 

Sopra o vento

Voa o tempo

Chave certa

Porta aberta

 

Prende o laço

Troco o passo

Prende o laço

 

Vou encontrar as asas do meu ser e voar

No céu do teu olhar

 

Prende o laço

Troco o passo

Prende o laço

 

Vou encontrar as asas do meu ser e voar

No céu do teu olhar, vou encontrar

 ___________________________________

 

ESTRANHOS DIAS VAZIOS - (H. Caetano)

Entre terras, mares

Rosas e espinhos

No repetir da história

Traça o homem caminhos

 

Quando o vazio começa

Quando a alma definha

E da terra queimada

Nasce a erva daninha

 

Por caminhos incertos

O destino conduz

Quem parte para a guerra

Quem a paz não seduz

 

Se nos roubam os céus

Se nos secam os rios

Se o abismo nos chama

Estranhos dias vazios

 

Entre terras, mares

Rosas e espinhos

No repetir da história

Traça o homem caminhos

 

Quando o vazio começa

Quando a alma definha

E da terra queimada

Nasce a erva daninha

 

Por caminhos incertos

O destino conduz

Quem parte para a guerra

Quem a paz não seduz

 

Se nos roubam os céus

Se nos secam os rios

Se o abismo nos chama

Estranhos dias vazios

 

Quem na teia cair

Quem na teia ficar

Quem não quiser ouvir

Quem não souber escutar

Quem procurar subir

E o fundo encontrar

 ___________________________________

MAR DE CHAMAS - (H. Caetano)

 

Preciso do veneno que cura

os males do corpo e da alma

Preciso dessa água tão pura

que mata a sede e me acalma

 

Preciso desse fogo intenso

que me consome o ar

Nadar num mar de chamas imenso

até me afogar

 

Naufragar,

neste mar,

neste mar de chamas

 

Deixa queimar só mais um pouco

Deixa-me arder na tua chama

Deixa-me alimentar o fogo

Sentir o calor que inflama

 ___________________________________

 

REVOLTAM-SE OS CÉUS - (H. Caetano)

 

Frias as palavras de negro tingidas

Frias são as noites p´las sombras vestidas

 

Salgada a hora que é de sofrimento

Salgada é a chuva nascida cá dentro

 

Cá dentro

Lá fora

O Inverno

Agora

 

Revoltam-se os céus

E choram por ti

Revoltam-se os céus

Por quem não esqueci

 

Efémera chama nascida das velas

Efémeras vidas ardidas com elas

 

Salgada a hora que é de sofrimento

Salgada é a chuva nascida cá dentro

 

Cá dentro

Lá fora

O Inverno

Agora

 

Revoltam-se os céus

E choram por ti

Revoltam-se os céus

Por quem não esqueci

 ___________________________________

 

VEM COMIGO VOAR - (H. Caetano)

 

Vou voar como as nuvens

Respirar como as folhas

Vou sentir a essência das coisas mais puras

Vou cheirar a fragrância das maçãs maduras

 

Vou pairar sobre o mar

Vou deixar-me embalar

Fazer berço das ondas de prata e marfim

Vou perder-me e encontrar-te em sonhos sem fim

 

Vem comigo voar

Vem comigo encontrar um lugar

Vem comigo sonhar

Vem comigo deixa-te embalar

 

Como alma sem corpo

Como um navio sem porto

Vou seguir o pulsar da essência da vida

Vou matar a sede na fonte proibida

 

Quando a noite cair

Quando o Sol não ouvir

Vou contar-te histórias e segredos do mar

Como um búzio ao ouvido de quem quer sonhar

 

Vem comigo voar

Vem comigo encontrar um lugar

Vem comigo sonhar

Vem comigo deixa-te embalar

 
 
 

 

   
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